Game pode ajudar a decifrar epidemia

 

 No “World of Warcraft”, doença é contraída de viajantes e animais de estimação.
O surto foi resultado de um desafio acrescentado ao game.

Uma praga mundial espalhada por viajantes, animais de estimação e adolescentes curiosos pode demonstrar que os especialistas não levaram tudo em conta ao planejarem defesas contra surtos de doenças. Por sorte, o mundo envolvido é um jogo na internet.

O surto virtual da doença, proliferada no “World of Warcraft” e conhecida como “sangue corrompido” indica que os especialistas que tentam prever as características da próxima pandemia poderiam utilizar um laboratório do mundo real: a cultura dos usuários de jogos on-line.

“A situação se assemelhava um pouco à de uma doença real”, disse Nina Fefferman, da Princeton University, que trabalhou no estudo com seu então aluno Eric Lofgren.

O surto foi resultado acidental de um desafio acrescentado ao jogo online “World of Warcraft” em 2005, reportam Fefferman e Lofgren em artigo para a revista especializada “Lance Infectious Diseases”.

A doença violenta e contagiosa foi introduzida pela Blizzard Entertainment, produtora do jogo, como desafio adicional para os jogadores de alto nível. Mas, da mesma maneira que um vírus real pode se espalhar, ela foi acidentalmente espalhada fora de sua área de isolamento virtual.

“Não demorou para que a doença se difundisse nas capitais densamente povoadas do mundo virtual, causando altos índices de mortalidade e, mais importante, a espécie de caos social que surge com surtos em larga escala de uma doença mortífera”, escreveram Fefferman e Lofgren.

“Quando esse surto acidental ocorreu, os jogadores o adotaram como parte do jogo. Alguns consideraram que fosse uma característica excelente”, afirmou Fefferman.

Mas os produtores do jogo discordaram. Muitos deles reiniciaram o jogo para eliminar a doença, o que resultou na remoção de quaisquer dados que pudessem ser úteis. Lofgren, que jogava World of Warcraft, avisou Fefferman, e eles estudaram ao máximo os traços ainda discerníveis.

Fefferman percebeu de imediato fatores humanos que não havia incluído em seus modelos de computador para surtos de doenças reais, entre os quais o “fator estupidez”. “Trata-se, por exemplo, de alguém que acha que só dar uma olhadinha rápida no doente não será contaminado”, disse ela.

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